O mito da dose segura: Por que nenhuma gota de álcool é inofensiva para a saúde

No imaginário de muita gente, o consumo moderado de bebidas alcoólicas — especialmente aquela famosa taça de vinho diária — é visto como um hábito saudável ou um protetor do coração. Essa ideia, reforçada por décadas de cultura popular e até antigas recomendações médicas, cria uma sensação de segurança que a ciência moderna agora contesta.

No entanto, a realidade revelada por estudos globais e pelo Ministério da Saúde mostra um cenário bem diferente. O Brasil, assim como o resto do mundo, enfrenta o desafio de reeducar a população sobre uma substância que é lícita, socialmente aceita e presente na maioria dos lares, mas que é um dos maiores gatilhos para doenças crônicas e acidentes.

A ciência mudou: O fim do “benefício” cardiovascular

Um dos maiores obstáculos no enfrentamento do uso abusivo de álcool é a desinformação sobre os seus efeitos em baixas quantidades. Antigamente, acreditava-se que componentes como os flavonoides do vinho poderiam compensar os riscos do álcool.

A Dra. Letícia de Oliveira Cardoso, diretora do Ministério da Saúde, esclarece que essa percepção não encontra mais suporte nas evidências atuais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu, há três anos, que não existe um limite de consumo que possa ser considerado totalmente livre de riscos para o organismo.

“É importante destacar que até alguns anos atrás, profissionais de saúde acreditavam que o álcool em qualquer dose não fazia mal. Mas isso já caiu por terra. Hoje, a OMS já estabeleceu que não existe dose segura para o consumo de bebida alcoólica para a saúde”, orienta a diretora.

O sinal de alerta e a Nota Técnica do Ministério

O principal ponto de atenção para a sociedade é a desconstrução de bordões como “beba com moderação”, que podem dar a falsa impressão de que o risco é inexistente se a dose for pequena. O álcool é uma substância que causa dependência e está diretamente ligada ao aumento de casos de câncer, doenças cardiovasculares e problemas de saúde mental.

Para formalizar esse novo entendimento, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica em 2024 (Nota 263/2024), direcionada a gestores e profissionais de saúde, reforçando a mensagem de risco zero.

A orientação oficial é clara: a melhor escolha para a preservação da saúde é não consumir. Se você ou alguém da sua família utiliza o álcool como uma forma de lidar com o estresse ou a rotina, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O acolhimento é o primeiro passo para mudar a relação com a substância e garantir uma vida com mais qualidade e longevidade.

A Central de Notícias da Rádio Futura é uma iniciativa do Projeto “Revolução na psiquiatria: A humanização no legado de Nise da Silveira!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.