Muito além do estereótipo: como o anime molda a visão de novos artistas
As animações japonesas arrastam multidões e já fazem parte da cultura pop mundial, mas a porta de entrada para esse universo é uma experiência única para cada fã.
Por Elder Oliveira
Seja pelos grandes sucessos de ação ou pelos traços delicados que marcam época, o anime deixou de ser um nicho para se tornar uma potência global. Mas como esse estilo de animação impacta quem respira arte no dia a dia? Conversamos com Luana Maluf Baltar e Mariana Corrêa, estudantes de Artes Visuais da Unesp, para entender como ocorreu esse primeiro contato e por que o gênero ainda sofre com preconceitos.
O primeiro contato: do traço ao susto
Para muitos, a paixão pela animação japonesa começa de forma visual. Foi o que aconteceu com Mariana, que encontrou nos animes uma extensão do seu próprio interesse artístico.
“Eu comecei porque sempre gostei de desenhar, e é um estilo bem único. Então fui assistindo bastante. Tive vários amigos que gostavam, aí entrei por aí”, conta a estudante.
Já para Luana, a introdução foi um pouco menos convencional e um tanto intensa para a idade. Motivada pelo desenho de um colega, ela acabou mergulhando em uma obra que passa longe da classificação livre.
“O primeiro anime que eu fui atrás de assistir foi Mirai Nikki. Eu tinha 10 anos! É um anime pesado, não é muito livre para todos os públicos. Mas meu amigo tinha feito uma arte da personagem Yuno e eu falei: ‘Que legal, vou atrás desse negócio’. Não me traumatizei e comecei a ver animes”, relembra com humor.
“Coisa de nerd”? A quebra do estereótipo
Apesar da popularidade gigantesca de franquias voltadas para a ação e lutas, as produções asiáticas ainda enfrentam barreiras com o público geral, que muitas vezes reduz toda uma indústria a um único rótulo.
As estudantes defendem que o anime sofre com um problema de percepção. A fama de grandes obras acabou criando uma barreira para quem consome blockbusters ocidentais e torce o nariz para as produções orientais.
● O anime como mídia, não como gênero: Mariana aponta que a confusão afasta o público. “As pessoas têm uma ideia diferente do que é. O anime é um estilo de animação. Tem várias coisas, tem anime de romance, por exemplo. Só que o pessoal fala: ‘Ah, não, é coisa de nerd’.”
● O cuidado com os detalhes: Para Luana, o grande diferencial está na execução e na riqueza visual. “A animação não é exatamente um gênero, é só uma forma diferente de contar uma história. O que me atrai é que cada detalhe, cada coisa que tá na tela foi pensado. Foi desenhado e montado por alguém.”
No fim das contas, a resistência ao formato muitas vezes cai por terra quando o espectador se permite conhecer a diversidade narrativa que o Japão tem a oferecer. É justamente esse cuidado milimétrico com cada quadro que continua transformando curiosos em verdadeiros apaixonados pela arte de animar.
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