Varal Cultural: A Arte da Periferia Ocupa o Palco Global de Interlagos
Em uma ação de impacto, o projeto Varal Cultural quebra as barreiras invisíveis de Interlagos, transformando o autódromo em palco para a arte periférica e promovendo a inclusão social no templo da velocidade.
O Autódromo José Carlos Pace, internacionalmente conhecido como Autódromo de Interlagos, famoso pelo ronco ensurdecedor dos motores da Fórmula 1 e por sediar megaeventos globais, abriu seus imponentes portões para um movimento focado puramente na inclusão social por meio da arte.
Em uma ação inédita, o projeto Varal Cultural decidiu quebrar as barreiras invisíveis do prestígio e da exclusão, trazendo a comunidade da periferia paulistana para ocupar um dos espaços mais cobiçados e emblemáticos de São Paulo.
A iniciativa parte de uma premissa direta, porém incrivelmente poderosa: a necessidade de ocupar espaços. Historicamente, o autódromo é visto por muitos moradores do seu próprio entorno como uma “fortaleza” elitizada, acessível apenas para quem pode pagar ingressos caros. O projeto visa combater exatamente esse sentimento crônico de não pertencimento, promovendo a democratização do acesso e valorizando o talento de artistas independentes que muitas vezes ficam restritos aos seus próprios bairros.
A organização do projeto resume a essência dessa missão de forma contundente, destacando o paradoxo de quem vive à sombra de um monumento, mas nunca pôde entrar nele:
“A ideia principal do Varal Cultural é trazer o artista, a comunidade e as pessoas que não pertencem aos ambientes. Tem gente que nasceu do lado do autódromo e nunca pisou aqui dentro porque não se sente pertencente ao espaço. O Varal Cultural vem para desmistificar isso e trazer para as pessoas essa visibilidade, de que elas podem estar sim nos lugares e que elas têm que pertencer.”
Embora o projeto não abandone suas raízes mantendo ativas e fortes as suas ações culturais diárias nas periferias, vielas e encostas da capital, a decisão de levar essas iniciativas para um polo de visibilidade global como Interlagos é um divisor de águas. Trata-se de uma estratégia fundamental de impacto socioeconômico, criada para conectar pessoas de baixa renda a novas oportunidades de negócios, investidores e a um público consumidor totalmente diferente do habitual.
A importância de colocar o talento periférico sob os holofotes foi reforçada pela coordenação da iniciativa, que celebrou a magnitude da feira montada em meio ao asfalto sagrado do automobilismo:
“A gente tá no palco dos eventos mundiais para celebrar… A gente faz eventos na periferia, faz eventos nas encostas da cidade, mas a gente também quer fazer eventos em lugares como o Autódromo de Interlagos, para que as pessoas de baixa renda [tenham acesso]. Hoje nós estamos trazendo a feira ‘Mãos e Mentes’, com mais de 100 artesãos aqui hoje.”
Com o asfalto dividindo espaço com a economia criativa, o cenário era de pura efervescência cultural. Dezenas de artesãos expuseram seus trabalhos, artesanatos e criações originais lado a lado com a pista de corrida, transformando o paddock em uma grande vitrine da diversidade paulistana.
No fim das contas, a ousada iniciativa do Varal Cultural entrega uma mensagem clara e inquestionável: o talento local e a cultura periférica não são apenas atrações de nicho. Eles não só pertencem, como têm toda a qualidade, beleza e força necessárias para ocupar de forma definitiva, os maiores e mais prestigiados palcos da cidade.
Por Elder Oliveira
A Central de Notícias da Rádio Futura é uma iniciativa do Projeto “Revolução na psiquiatria: A humanização no legado de Nise da Silveira!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.



