Preço do ingresso e concentração geográfica ainda são barreiras para a democratização do cinema no Brasil

Enquanto o público retoma o hábito de frequentar as salas, espectadores e especialistas debatem a necessidade de incentivos culturais e descentralização das exibições. 

O retorno do público às salas de cinema em 2025 e 2026 tem aquecido o mercado, mas traz à tona um debate antigo: o acesso à cultura no Brasil é democrático? Entre o valor do ingresso nas capitais e a falta de opções no interior, o brasileiro busca equilibrar o orçamento para consumir arte. 

William Trevisani, professor universitário morador do interior de Minas Gerais, destaca a disparidade de custos e acesso. De passagem por São Paulo, ele aponta que o valor cobrado na capital paulista é um obstáculo significativo. “É caro. Principalmente aqui em São Paulo. Eu tô de passagem por aqui e tenho que aproveitar o que tá passando, porque dificilmente vai chegar onde eu moro”, relata Trevisani. 

Para o professor, a democratização não deve se restringir apenas às telas, mas abranger todo o espectro cultural, exigindo políticas públicas mais efetivas. “Todas as formas de cultura devem ser mais democratizadas. Deveriam ter mais incentivos para casas de espetáculo, não só de cinema, mas de teatro, circo, balé, dança e museu”, defende. 

A discussão sobre o acesso vai além do lazer; ela toca na formação profissional. Em um cinema da capital, um pai que levou o filho para assistir a uma produção nacional ressalta que o contato com a telona é fundamental para despertar vocações. 

“O cinema é a ponta de lança da cultura. Você tem muitos profissionais que podem atuar e sonhar em criar. Você tem músicos, técnicos de câmera, enfim, muitas possibilidades”, afirma o entrevistado. 

Embora ele admita que o preço atual não é tão acessível quanto antigamente, o que, segundo ele, pode ter afastado o público das salas por um tempo, o valor cultural da experiência justifica o esforço. “Eu estou apresentando esse hábito para o meu filho agora”, completa. 

Seja pela necessidade de incentivos fiscais para baratear os ingressos ou pela expansão das salas para fora dos grandes centros, o consenso entre o público é claro: para que o cinema nacional seja de fato “a cara do brasileiro”, como define Trevisani, ele precisa primeiro ser acessível a todos os brasileiros. 

Por Elder Oliveira

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