O perigo oculto na literatura
A falta de classificação indicativa nos livros no momento de comprar um livro novo.
A literatura tem um papel fundamental na formação de leitores, no estímulo ao pensamento crítico e no contato com diferentes narrativas. No entanto, especialistas e escritores têm levantado um alerta sobre conteúdos presentes em alguns livros que, apesar de aparentarem ser inofensivos, abordam temas sensíveis sem qualquer tipo de classificação indicativa.
Capas coloridas, títulos delicados e estratégias de divulgação voltadas ao público jovem podem esconder conteúdos explícitos ou gatilhos emocionais, como violência, abuso, relacionamentos tóxicos e situações de sofrimento psicológico. A ausência de uma classificação clara dificulta a mediação de pais, educadores e responsáveis, principalmente quando se trata de leitores mais jovens.
Para a escritora Camilly Nunes, a falta de regulamentação é um problema que precisa ser debatido com mais seriedade.
“Muito e muito livros parecem fofinhos, mas o conteúdo deles é perigoso. Sinto que as editoras, principalmente, estão agindo com muita falta de responsabilidade. Pessoas de 18 anos podem ler o que quiserem, mas sinto que não tem classificação indicativa e isso tem sido uma luta, pois não tem uma regra do governo, que livros precisam de uma classificação indicativa como é nos filmes. É muito difícil, são capas enganosas, bonitinhas, mas o conteúdo é muito explícito ou o conteúdo tem cenas que dão gatilhos.”
Diferente do que acontece com filmes, séries e jogos, os livros não seguem um sistema oficial de classificação indicativa no Brasil. Isso faz com que obras com temas sensíveis cheguem facilmente a leitores despreparados para lidar com determinados conteúdos, sem qualquer aviso prévio.
O debate não envolve censura ou restrição à leitura, mas sim informação e responsabilidade. A classificação indicativa permite que o leitor faça escolhas conscientes e que responsáveis possam orientar melhor o acesso às obras, respeitando a maturidade emocional de cada pessoa.
Em um cenário em que a leitura é incentivada desde cedo, discutir a transparência sobre o conteúdo dos livros se torna essencial. A literatura continua sendo uma ferramenta poderosa de conhecimento e reflexão, mas o acesso a essas histórias precisa vir acompanhado de cuidado, orientação e respeito aos leitores.
Por: João Victor Montoza
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